Com novas restrições de circulação, restaurantes tiveram queda de 46% no faturamento em fevereiro

Cenário cada vez mais preocupante para o setor, novos dados apontam que quase um ano inteiro de avanço foram perdidos em apenas dois meses

29/03/2021

Com novas restrições de circulação, restaurantes tiveram queda de 46% no faturamento em fevereiro

Com a chegada da segunda onda no país devido ao agravamento da pandemia, o faturamento dos restaurantes e lanchonetes voltaram a cair nos últimos quatro meses. Um balanço divulgado pelo SEBRAE aponta que a queda nas vendas passou de -39% em novembro para -46% em fevereiro, com esse cenário podemos afirmar que quase um ano inteiro de avanço foram perdidos em apenas dois meses.

A indústria de alimentação não ficou de fora e também sofreu com os impactos da pandemia, alcançando -36% de negócios em fevereiro, contra uma média nacional geral de -40%. Segundo o Sebrae, essa piora nos números fez as finanças das empresas voltarem ao patamar de perdas de maio de 2020 – quase um ano de avanço comprometido pelas novas restrições devido ao agravamento da crise sanitária no Brasil. 

Mudanças de hábitos ocorridos desde a primeira onda do Covid, como as limitações de funcionamento do comércio e a adoção do home office por boa parte da população, são os grandes responsáveis pelas quedas nos setores relacionados a alimentação, sobretudo, a fora do lar, cada vez mais comprometida devido à crise sem previsão de retomada. 

Os novos hábitos mudaram muito a rotina das grandes cidades, o principal deles foi o de cozinhar em casa, o que agrava a situação dos bares, restaurantes, lanchonetes e demais comércios que dependem da circulação de pessoas. Sem perspectivas para um retorno sustentável e provável, fica cada vez mais difícil conseguir manter as atividades.

Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a situação é tão complicada devido ao agravamento da pandemia que nem os salários de abril estão garantidos. “Pelo menos 80% das empresas não têm sequer condições de pagar os salários, pois já estavam endividadas e sem faturamento suficiente nas últimas semanas. E duas em cada três estão com impostos atrasados", analisa Paulo Solmucci, presidente nacional da entidade.

O Sebrae aponta ainda que 74% das médias e pequenas empresas e 82% dos microempreendedores individuais viram o faturamento diminuir em fevereiro.

 

Sem previsão de volta, sem faturamento e com dívidas acumulando setor desmorona 

A segunda onda veio com força total e o setor que já andava na corda bamba perde cada vez mais recursos e fica sem folego. Na última sexta (26), por exemplo, o governo de São Paulo prorrogou por mais 12 dias a fase emergencial de restrições no estado, que restringem até mesmo as modalidades de entrega apenas para o delivery, o que vinha segurando as pontas de muitos estabelecimentos. 

A maioria das capitais está com estabelecimento de portas fechadas, permitindo o atendimento apenas pelos serviços de delivery, drive thru e take away. No entanto, as receitas destas modalidades não chegam a 50% do faturamento dos restaurantes, já combalidos pelas perdas do ano passado.

A grande aposta do setor, segunda a Abrasel é de que os restaurantes voltem a funcionar gradativamente, a partir de 15 de abril por conta da vacinação.

Já na parte das cafeterias, a crise é ainda mais agravante, pois os negócios são basicamente de micros e pequenas empresas, ao longo de 2020, de 20% a 30% fecharem as portas.

Até porque, enquanto o delivery acabou sendo a salvação dos restaurantes, isso não funciona para as cafeterias por conta do baixo tíquete dos produtos. 

A situação deste segmento é tão preocupante, que a falta de controle da pandemia no Brasil não está afetando somente as cafeterias, mas toda a cadeia de cafés especiais. Lideranças do grupo Grão Coletivo, uma entidade que reúne mais de 300 cafeterias em todo o Brasil, sinalizam que se esse cenário perdurar por mais dois ou três meses, haverá uma quebra irreversível para a categoria.  

Especialistas afirmam que o mês de abril será ainda pior do que o vivido até agora desde o começo da segunda onda da doença. O que reforçá a necessidade de novas medidas econômicas urgentes por parte do poder público, até porque, empresários estão parados há semanas, sem qualquer remuneração e na grande maioria dos casos, sem condições de conseguir crédito, pois já queimaram essa opção. 

A Abrasel, afirmou que já há a sinalização de avanço de algumas medidas de auxílio, como a prorrogação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) após a sanção da medida provisória prevista para esta semana, com duração de quatro meses; a prorrogação por mais três meses da carência para o início do pagamento das parcelas do Pronampe; entre outras ações isoladas nos estados.

Entidades tentando ajudar, o empresário fazendo o que pode para sobreviver, indústria, fornecedores e distribuidores buscam caminhos para auxiliar, mas a conta não irá fechar, enquanto não houver avanço com as vacinas e a volta da circulação das pessoas. 

Vamos continuar fazendo a nossa parte e se você tem alguma história de superação ou soluções que podem contribuir para o momento, fale conosco. 

 

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