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Setor de panificação espera alta no Ceará

As panificadoras estão investindo mais em capacitação e modernização, melhorando a qualidade e a variedade de produtos

29/07/2014

Nem mesmo a inflação, a redução do ritmo de crescimento econômico do País, a alta do câmbio ou mesmo a crise envolvendo Ucrânia e Rússia - importante fornecedor de trigo para o mercado brasileiro - conseguirão barrar o crescimento do setor de panificação no Ceará. A expectativa do Sindipan-CE (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Ceará) é que o segmento feche 2014 com o faturamento 10% maior em relação ao ano passado, superando o mercado nacional, com expansão estimada em torno de 8%.

 

A projeção é do presidente do Sindpan-CE, Lauro Martins, que aposta na qualificação profissional, incluindo a gestão do setor, associada à modernização tecnológica das padarias, como forma de ampliar a produtividade e qualidade dos serviços para minimizar os impactos desses desafios que se impõem a conjuntura atual. Nesse contexto, a entidade classista promoveu até ontem, no La Maison Dunas, o I Seminário de Capacitação da Panificação, voltado a empresários e profissionais do setor.

 

"Nos últimos anos os custos com matéria-prima, mão de obra, entre outros gastos, cresceram muito. Para reduzir o impacto da inflação e do aumento de custos, a saída é investir em tecnologia e capacitação para ganhar em produtividade e qualidade dos serviços. Por isso, temos feito um esforço grande para que nossos associados modernizem a estrutura física de suas padarias, invistam mais em treinamento e incrementem a área de produção de seus negócios com equipamentos mais avançados", reforça o líder classista.

 

 

Associada ao cenário econômico de incertezas, a crise envolvendo a Rússia também preocupa o setor. "Não somos autossuficientes na produção de trigo. Por isso importamos de vários países, estando sujeitos às interferências internacionais. E a Rússia é um dos grandes produtores e exportadores de trigo para o mercado brasileiro. Então, qualquer turbulência com certeza irá impactar. Mas acredito que a safra recorde que tivemos esse ano ajude a reduzir os efeitos dessa crise", espera o empresário.

 

Para o presidente do Sindpan-CE a tendência, devido à safra recorde, é que o preço do trigo se estabilize, descartando aumento no preço do pão. "Acredito que o valor do trigo ficará estável. A perspectiva é que o preço do pão carioquinha se mantenha até o fim do ano na média de R$ 8,50 o quilo".

 

Para Lauro Martins, apesar das intempéries conjunturais, o Ceará terá melhor desempenho em relação ao País. "Estamos num patamar bem melhor. E isso se deve também ao empreendedorismo cearense. Sempre buscamos inovações e melhorias", diz.    

 

Um dos palestrantes do Seminário, José Angelo de Souza Junior, falou sobre as tendências da panificação no Brasil, destacando a importância do "food service" para a sustentabilidade do segmento. Segundo ele, as padarias estão se transformando em "verdadeiros centros gastronômicos", oferecendo lanches e refeições completas, além do simples pãozinho.

 

"Elas entenderam que os clientes só vão à padaria comprar pão praticamente duas vezes ao dia: no começo da manhã e entre o fim da tarde e o início da noite. Ou seja, de 10h às 16h, elas praticamente não tinham movimento. Então, foram preenchendo esses espaços com outros serviços. E com o crescimento da alimentação fora de casa, uma opção foi investir nesse nicho de mercado", explica. (Fonte: Diário do Nordeste)

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