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Preço da carne cai em janeiro, mas ainda está alto

Exportação menor contribuiu para a queda, mas insumos mais caros e dólar ainda não permitem uma baixa mais expressiva. Já ao contrário das carnes, preço do ovo continua subindo

04/02/2020

O preço das carnes caiu em janeiro na comparação com a disparada de novembro e dezembro, de acordo com números de consultorias e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea). Porém, os valores seguem maiores que os praticados há um ano. Em São Paulo, dos 20 cortes mais populares, de acordo com a Scot Consultoria, quem teve a maior queda foi o filé mignon sem cordão: queda de 8,3%.

 

Porém alguns cortes, como a costela, subiram. Na média, a retração é de 1%. "Janeiro foi marcado por preços transitando entre a sustentação e leves retrações (...) O varejista teve dificuldade para impor preços maiores ao consumidor final, já que, tipicamente, esse período do ano é de menor consumo", explicou a consultoria em relatório.

 

O analista de mercado Leandro Bovo afirma que a queda esperada para o mês se confirmou sem surpresas. Segundo ele, a demanda chinesa impede que os valores praticados antes da disparada voltem. Porém, as vendas para o exterior desaceleraram em relação ao último trimestre de 2019. Em janeiro, a expectativa é que as exportações de carne bovina caiam mais de 10% na comparação com dezembro.

 

"O consumidor final já sente um efeito de melhora no preço da carne bovina, porém ainda fica o incomodo por estar em patamares acima do que era negociado antes do início do movimento de alta", explica Bovo, da Radar Investimentos.

 

No mesmo comparativo de valores dos cortes mais vendidos, a diferença média de janeiro de 2020 para janeiro de 2019 é de mais de 17%, que é uma variação considerada dentro do esperado pelas exportações aquecidas e reajustes que eram esperados na atividade.



Desvalorização é maior no campo



Se os preços na cidade ainda estão resistindo a cair, no campo, pecuaristas e frigoríficos já sentem efeitos maiores. O preço pago pela arroba (15 kg) do boi gordo para o criador caiu 17,5% na comparação com o valor recorde registrado no fim de novembro (R$ 231,35), segundo o indicador de preços do Cepea para São Paulo. Porém, quando comparamos com um ano atrás, a alta é de 19,6%.

 

Vilã da inflação de 2019, a carne bovina chegou a subir 32% no ano. Na indústria, o movimento foi ainda mais intenso. Segundo o centro de estudos da USP, o preço da carcaça do boi saiu de R$ 16,46 por quilo para cerca de R$ 12,50 por quilo, uma queda de 25%.



Omelete mais cara



O ovo continua em plena alta desde o final do ano passado. Em um ano, a caixa com 30 dúzias vendida na Grande São Paulo subiu de R$ 72,94 para R$ 96,32, alta de 32% e valor recorde. Nem mesmo em dezembro, momento de maior pressão de preços, o ovo ficou tão caro. A máxima do período foi de R$ 96,14. A analista de mercado do Cepea Juliana Ferraz explica que os valores são maiores do que os praticados na Quaresma, período em que a procura é tradicionalmente maior.

 

"Nós vimos 3 movimentos que explica esta alta: o preço do milho que subiu, o descarte de aves para equilibrar a oferta de ovos e o fim das férias escolares, onde muitas escolas compram ovos para as merendas escolares", conta Juliana. No campo, o efeito foi o mesmo. O preço negociado na principal região produtora do país, Bastos (SP), é de R$ 90,74, alta de 35,8% em um ano. O maior valor até então tinha sido de R$ 89,86 na segunda quinzena de dezembro de 2019. (Fonte: G1)

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