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Dona da Sodiê é ex-cortadora de cana e fatura por ano R$ 50 milhões

Cleusa Maria da Silva, dona da maior rede de bolos do País, conta sobre a inspiração de sua mãe e a transição da empresa familiar para um modelo profissional

02/02/2016

Foto: Sodiê divulgação

 

Cleusa Maria da Silva, de 47 anos, é uma empreendedora pouco convencional. Dona da Sodiê, primeira e maior rede de bolos do Brasil, hoje ela comemora a marca de 142 lojas, quase o dobro da conhecida rede Amor aos Pedaços. Nascida em Bandeirante, no Paraná, já aos 9 anos começou a trabalhar. Com a morte do pai, Cleusa, seus 9 irmãos e a mãe, Lázara, passaram a trabalhar na roça. O caminho encontrado para que não faltasse comida em casa foi o corte de cana-de-açúcar. "Eu acabei assumindo a liderança da família com a morte do meu pai", conta a empresária.

 

 

Ao contrário das outras crianças, que ganhavam meia diária, Cleusa recebia a diária inteira – por volta de R$ 50 – graças à sua grande força e disposição. Capinou plantações de milho, soja, cana de açúcar, entre outros, sempre em companhia dos seus irmãos, que trabalhavam sempre juntos, na mesma lavoura. Toda energia adicional foi necessária. No começo, os bolos saiam da cozinha de casa mesmo, no horário em que Cleusa não estava trabalhando na fábrica de autofalantes que a empregava durante o dia. Chegava já cansada do trabalho, mas ao ver Diego, seu primeiro filho, encontrava forças para continuar em frente. “Ele me esperava chegar, ficava sentado na mesa enquanto eu cozinhava e às vezes até dormia debruçado na mesa. Sempre foi meu parceirão”, conta.

 

 

Buscando outro destino para oferecer à sua família alguma alternativa. Chegou a trabalhar como empregada doméstica e diarista. “Eu não conseguia mais ver minha mãe, naquela idade, trabalhando como boia-fria”, conta Cleusa, terceira de uma família de dez irmãos. “Partia meu coração ver minha mãe aos 50 anos levantando às quatro horas da manhã para ir para a roça.” Depois de dois anos, como confeiteira resolveu ouvir o conselho de seus clientes e investir em um negócio próprio. “Eu resistia muito a essa ideia, tinha muito medo e nunca entendi nada de negócios”, desabafa. “Pensar nisso era um desconforto enorme.”

 

 

O ponto de partida foi dado com quase R$ 3 mil que um de seus irmãos, Mauro, recebeu como rescisão contratual graças a uma demissão inesperada. “Todo mundo dizia que eu deveria abrir um negócio e me dedicar só aos bolos, quando veio esse dinheiro para o meu irmão, ele ofereceu entrar no negócio comigo”, conta. Até hoje, Mauro trabalha com a irmã, na parte administrativa da empresa. Outros três, têm lojas da marca e um trabalha na produção de doces. Até a mãe da empresária, hoje aos 67 anos, ajuda na confecção das balas vendidas na rede.

 

 

A empresa cresceu ao longo desses 17 anos e a gestão essencialmente familiar já estava precisando de um apoio externo. “Foi um caminho natural até a necessidade de profissionalização”, diz Cleusa. A saída encontrada foi contratar uma equipe de consultores que administrasse com ela essa fase de transição. A empresária conta que a decisão não foi das mais simples, principalmente porque enfrentou uma forte resistência da família. “A empresa já estava estruturada e meus irmãos já eram donos de lojas quando trouxemos o processo de profissionalização e a abertura de franquias”, conta. “Já havia uma estrutura criada e montada, então precisamos mexer em tudo para adotar uma gestão ainda mais transparente.”

 

 

À frente do negócio ficaram o filho Diego e Cleusa. As decisões são tomadas entre eles dois e comunicadas a todos, para evitar que os debates de negócios contaminem a relação familiar. “É bem difícil conciliar a empresa com a relação entre a gente. Precisamos optar por centralizar as decisões porque se fôssemos debater tudo o tempo todo, não tomaríamos decisões nunca.” Um passo de cada vez, Cleusa preferiu um avanço gradual a uma explosão. Após a consultoria, decidiram abrir o negócio para franquias. Hoje, seis anos depois, são mais de 140 lojas e um futuro bastante promissor. 

 

 

 

 

Hoje, ao ver a Sodiê faturando R$ 50 milhões ao ano, Cleusa não tem dúvidas do valor de sua dedicação. “Até hoje eu olho todos os negócios da empresa, vejo que valeram a pena todas as noites em claro e todo o esforço”, afirma. Mas é nos olhos da mãe que ela vê a verdadeira recompensa. “Quando vejo que hoje ela tem a casinha dela, não trabalha e vive bem, uma velhice com tranquilidade, aí sim eu fico com a sensação que estou em um sonho.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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