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Crise atinge restaurantes classe A em São Paulo

Alugueis exorbitantes, alta nos preços dos alimentos e diminuição do consumo têm levado restaurantes de luxo em São Paulo a fecharem as portas

14/04/2016

 

O tombo de quase 4% no Produto Interno Bruto no ano passado e uma nova retração - quase do mesmo tamanho - esperada para este ano dizimaram restaurantes onde empresários que comandam a economia do País fecham negócios, geralmente em refeições regadas do bom e do melhor. A rua Amauri, no bairro paulistano do Itaim, que concentrava vários estabelecimentos considerados classe A, está bem mais vazia. Em apenas uma quadra, há pelo menos quatro restaurantes fechados. Manobristas, que antes corriam para dar conta do entra e sai de carrões importados, hoje passam o tempo jogando conversa fora à espera de clientes.

 

 

Na última quarta-feira, em pleno meio de semana, perto das 13 horas, que em épocas normais seria um horário de pico, a tranquilidade predominava nesse reduto de restaurantes de luxo. "Em outras épocas, neste horário, teria uma hora de espera. Hoje o cliente entra e já senta", disse João Santos, que há 13 anos cuida do estacionamento dos carros dos clientes da Forneria San Paolo.

 

 

"O fechamento dos restaurantes foi uma combinação de aluguel alto com queda no movimento", afirmou Denise Schirch. Ela preside a Associação de Moradores e Empresários da Rua Amauri e é sócia da holding Componente, do empresário João Paulo Diniz, que tem três estabelecimentos na Amauri, dos quais dois fechados. Um deles é o Dressing, que parou de atender como restaurante em 2014. No ano passado, virou um espaço para eventos. Agora, nem isso funciona e o local está em reforma. O outro restaurante de luxo é o Ecco, que encerrou as atividades no fim do ano passado. Nos dois casos, Denise ressaltou que os pontos comerciais não foram entregues e que há projetos para o futuro. "Estamos esperando as coisas se assentarem para desenhar uma nova proposta."

 

 

Do grupo, o único que está em operação na rua Amauri é a Forneria San Paolo. "A Forneria é uma exceção porque tem um tíquete médio intermediário para a rua, entre R$ 90 e R$ 100", disse Denise. Ela contou que, neste caso, o movimento do restaurante até cresceu, cerca de 5%, favorecido pelo fechamento dos concorrentes. Já no Yellow, outro sobrevivente que também tem um tíquete médio menor, o movimento caiu entre 20% e 30%, calcula o gerente, Pedro Meirelles. "Esta é a pior crise", disse ele, que trabalha há 27 anos no estabelecimento. Por ora, o plano de abrir filiais foi cancelado por causa da retração da economia.

 

 

Para contrabalançar a queda no movimento, o gerente contou que cortou o preço do estacionamento, começou a preparar refeições para eventos e entregar pratos em domicílio. "Até criamos um prato executivo no valor de R$ 42. O problema é o gasto. Ninguém sai de casa mais", disse Meirelles.

 

 

Fonte: Estadão

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