Food Service

Notícia

Bares e restaurantes no Rio voltam a ter público e fazem contratações

Segundo Roberto Maciel, presidente da Abrasel no Rio de Janeiro, segurança ainda é um ponto crítico. "Muitos bares têm visto seus clientes saírem mais cedo, com medo. Isso quando não há negócios que até fecharam por causa da localização"

13/03/2019

Depois de um longo período de crise econômica no Estado do Rio, os bares e os restaurantes voltam aos poucos às vidas dos moradores. Um levantamento do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio) com seus associados mostrou que, pela primeira vez desde 2014, o setor fechou o ano com um saldo positivo de contratações na capital.

 

No início de 2018, ainda houve muitas demissões. Mas, de setembro a dezembro, o saldo foi positivo todos os meses, sendo 1.687 pessoas recrutadas, fechando o ano com 40 novas contratações. O número de estabelecimentos também aumentou de 10.500 para 11 mil. Segundo o levantamento, as áreas que mais geraram empregos foram a Tijuca, a Barra da Tijuca e o Galeão (Aeroporto Internacional Tom Jobim).

 

"Tivemos tempos conturbados com o cenário político e a crise fiscal no estado. O consumo parou porque está muito ligado à segurança e à expectativa de futuro. Agora, com a volta de um pouco mais a normalidade, as pessoas estão voltando a consumir, e os restaurantes e bares estão contratando para essa demanda", disse Fernando Blower, presidente do SindRio.

 

Era com essa perspectiva que muitos empresários investiram e, agora, estão colhendo os frutos. Esse foi o caso do Maguje, um restaurante cervejaria inaugurado em setembro de 2018, em uma nova área que construiu no Jockey Club. "Sempre acreditamos na recuperação do Rio e, por isso, investimos na cidade. O projeto nasceu em 2015, e agora, surpreendentemente, a clientela está até acima das expectativas", afirmou Harrison Baptista, sócio do Maguje, que contratou cerca de 80 funcionários para abrir a unidade.

 

Os shopping centers também estão apostando na alimentação para atrair mais clientes. Para a BrMalls, uma das maiores empresas de centros comerciais do Brasil, o foco são áreas gourmet. A empresa abriu 17 restaurantes em 2018, com investimentos, principalmente, no Shopping Tijuca; no Plaza Niterói; no NorteShopping, no Cachambi; e no Casa Gourmet, em Botafogo.

 

"Estudamos o comportamento do consumidor e percebemos que eles buscam viver uma experiência no shopping. E, hoje, é a alimentação que está na moda como um entretenimento e mesmo status", disse Jini Nogueira, diretora comercial da BrMalls, que conta que os investimentos em restaurantes no Rio têm sido um sucesso, principalmente em redes do Abraccio, de cozinha italiana, e da pizzaria Mamma Jamma.

 

Até quem não está diretamente ligado a esse setor tem enxergado as oportunidades. O RIOgaleão está apostando em restaurantes e abriu sete em áreas públicas no aeroporto internacional, no ano passado, visando também a atrair os moradores da Ilha do Governador. Um deles é o americano T.G.I Friday’s, o único da marca no Rio. "Queremos explorar outros negócios e estar presente na vida do carioca. Vimos que a região da Ilha do Governador é carente de restaurantes e quisemos ser uma opção", afirmou Leandro Dantas, head comercial do RIOgaleão, que está investindo em eventos e lançando uma campanha para quem comer em alguns restaurantes não pagar estacionamento.

 

No total, o aeroporto abriu 17 unidades, contando com áreas restritas, o que gerou cerca de 500 contratações e cerca de 20 milhões em investimentos. É uma amostra de que esse setor que tanto emprega e alegra o carioca está voltando.

 

Pós crise, setor profissionaliza a gestão

Entre 2015 e 2017, o saldo do número de bares e restaurantes que abriram e fecharam ficou negativo em cerca de 6.800. A economia contribuiu para a crise no setor, mas a falta de profissionalização e gestão também. Agora, quem sobreviveu deve tirar as lições do momento.

 

"Em geral, o Rio sempre teve um perfil de negócio mais familiar. Mas a crise obrigou o empreendedor carioca a fazer uma gestão mais eficiente, analisando melhor os custos da operação. E, agora, esses estabelecimentos estão saindo um pouco mais profissionalizados desse ciclo", afirmou Enzo Donna, diretor da consultoria ECD Food Service.

 

Esse foi o segredo da pizzaria Mamma Jamma, que abriu duas unidades e contratou 75 funcionários em 2018. "A gestão foi essencial. Com isso, conseguimos congelar os preços e atrair os clientes, enquanto os concorrentes de preços altos ficaram para trás", disse Marcello Poltronieri, sócio do Grupo NOZ, do Mamma Jamma, que viu a operação crescer 20% no ano passado.

 

Oportunidades de empreender e de carreira

Para quem quer empreender com bares e restaurantes, o mercado ainda está com oportunidades nesse fim de crise. "Os aluguéis de pontos comerciais estão mais baratos, e é possível negociar bons preços. Muitos locais, por estarem endividados, não estão nem cobrando as usuais luvas, que é o direito de usar o local pelo período contratual", disse Marcus Quintella, professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV).

 

Para quem busca emprego, a retomada do setor é uma ótima notícia, já que o segmento emprega mais de 110 mil pessoas no Estado do Rio. Mas, para quem nunca trabalhou na área, agora é importante buscar qualificação. "Com o desemprego em alta, recebemos uma alta oferta de trabalho, e qualificada. É bom buscar cursos de profissionalização para entrar no ramo. Isso é bom inclusive para seguir carreira, para ser gerente ou chef", disse Fernando Blower, presidente do SindRio.

 

Segurança atrapalha lazer e negócio

As expectativas para o setor de bares e restaurantes são de uma lenta retomada da atividade. O público já se mostra mais disposto a gastar ao sair para comer e beber. Mas a disposição é contida pelo medo de estar nas ruas até tarde. "A segurança é um ponto crítico. Muitos bares têm visto seus clientes saírem mais cedo, com medo. Isso quando não há negócios que até fecharam por causa da localização", afirmou Roberto Maciel, presidente da Abrasel no Rio de Janeiro.

 

Os bares de rua são os mais afetados. Com esse cenário, o público tem buscado opções em locais fechados. Assim, os shopping centers têm ocupado esse espaço. "Nas nossas lojas de rua, vimos uma mudança de comportamento, com o cliente chegando e saindo mais cedo. Por isso, em nosso plano de expansão, estamos optando por abrir unidades em shoppings", contou Marcello Poltronieri, sócio do Grupo NOZ, da pizzaria Mamma Jamma, que irá abrir duas unidades ainda neste semestre.

 

O Riogaleão também concorda que esse é um desafio e trabalha com as autoridades para tentar melhorar a segurança na região. Além disso, afirma que estar em um lugar fechado, com a presença da Polícia Federal (PF), tem sido um diferencial. (Fonte: Extra)

Deixe seu comentário