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Alimentos inusitados: De bife em pó a ketchup de manga

Fabricantes usam a criatividade e apostam em alimentos diferentes para atrair os consumidores

15/07/2014

Já pensou em provar um bife vegetal em pó? E um cachorro-quente com ketchup de manga? Essa é a estratégia encontrada por pequenos fabricantes, negócios que apostam no inusitado de seus ingredientes para atrair o apetite dos consumidores e projetar receitas robustas em pouco tempo de atuação.

 

A Manioc, por exemplo, vende bife em pó. O negócio não tem ainda dois anos de existência e surgiu dos experimentos culinários dos namorados Pedro Teixeira e Ellen Stellet, respectivamente engenheiro e historiadora. Eles aplicaram R$ 2 mil na aquisição de insumos alimentícios, montaram uma loja online e faturaram R$ 650 mil no ano passado. Neste ano, planejam alcançar R$ 1 milhão.

 

Adeptos do veganismo, uma filosofia de vida que prega, entre outros preceitos, o boicote ao consumo de produtos de origem animal, eles sentiam dificuldade em localizar no mercado itens que se encaixassem aos seus interesses e convicções. Os problemas à mesa os levaram a se aventurar na cozinha. Foi a senha para começar a empresa. “Queríamos montar uma empresa de congelados, mas não tínhamos dinheiro para investir”, diz Teixeira, que passou a desidratar os produtos e vendê-los em pó. A demanda foi tão grande que a Manioc já distribui para todo o País e, há três semanas, passou a exportar para o Canadá.

 

 

Metade dos pedidos são para a compra do Mandiokejo, solução vegetal para pizzas e lasanhas. O bife vegetal em pó também é popular. Teixeira afirma que, por mês, a empresa produz 400 kg da 'carne de mentira', conseguida a partir da mistura de feijão tipo carioca e uma massa de banana verde. "As pessoas anseiam por algo diferente e a curiosidade é o que tem motivado quem não é vegano a comprar", diz.

 

Na mesma linha dos alimentos improváveis, o ketchup de manga ou de goiaba representam as novas apostas de Ricardo Cossari, diretor industrial e filho do fundador da Cossari Alimentos.

 

Apesar de atuar já há 45 anos no mercado, a Cossari teve dificuldades em implementar os novos produtos. Ricardo Cossari estima ter investido dois anos e R$ 3 milhões na linha de produção e no desenvolvimento dos ‘ketchups’. “Não foi fácil. Para o (produto) de goiaba, fizemos 70 formulações até chegar ao resultado”, comenta Cossari. Hoje, a empresa consegue produzir até 300 toneladas de molho por mês e, com a venda dos novas opções, o empresário espera chegar a um faturamento de R$ 13 milhões, resultado 62% superior ao de 2013.

 

Apesar do macarrão italiano ser o campeão de vendas da Fratellini Alimentos, a empresa também se dedica à revenda de mercadorias exclusivas produzidas lá fora. Apostando em um mercado de nicho, ela trouxe ao Brasil as alcaparras crocantes, da costa siciliana, a vinagretta de trufa negra e a gelatina de vinho. “Por serem produtos muito específicos, às vezes tenho que mostrar como são usados. É um trabalho de educação”, diz Felipe Athia, sócio-fundador da empresa.

 

Para montar o negócio, o economista, que tem apenas 25 anos, abandonou o emprego em uma seguradora da Alemanha e voltou ao País em 2013. Athia retomou o contato com seu colega de faculdade, José Beltramino, e, juntos, eles investiram R$ 350 mil do próprio bolso. “70% disso foi gasto só em inventário”, conta Athia. O retorno veio rápido. No ano de criação, a empresa já faturou R$ 480 mil. A meta agora é ultrapassar os R$ 2 milhões em vendas em 2014. (Fonte: Estadão PME)

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