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Alimentação saudável será mais cara do que a não saudável a partir de 2026

A constatação é de pesquisa conduzida por um grupo de cientistas brasileiros que mediu e comparou a variação nos preços dos 102 tipos de alimentos mais consumidos no país no período entre 1995 e 2017

30/01/2020

O prognóstico assusta quem se preocupa com uma alimentação saudável. Carnes, frutas e verduras devem se tornar mais caras do que salsichas, doces e outras guloseimas de 2026 em diante. Seis pesquisadores projetaram as oscilações no valor dos itens alimentares até 2030 com informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

Eles encontraram um ponto de inversão no qual a comida saudável se torna mais cara do que a comida que também é conhecida como "porcaria". Em 2017, os alimentos saudáveis tinham preço médio de R$ 4,69 por quilograma e os não-saudáveis, de R$ 6,62 por quilo. Em 2026, o custo de ambos se tornaria igual, prevê a pesquisa. Em 2030, os cientistas calculam que a comida saudável teria valor de R$ 5,24 por quilo, enquanto a comida "porcaria" teria custo de R$ 4,34 por quilo.

 

A carne, por exemplo, é um alimento que, segundo o estudo, tornou-se mais caro em relação à salsicha, considerada um substituto para proteínas de origem animal. No período entre 1995 e 2002, o embutido tinha um preço médio de R$ 10,30 por quilo, enquanto a carne, de R$ 9,08. No intervalo entre 2003 e 2010, o valor do quilo dos dois alimentos se aproxima. R$ 11,81 para as salsichas e R$ 11,28 para a carne.

 

A pesquisa mostra que no período seguinte a posição dos dois itens se inverte. As salsichas passam a custar R$ 11,33 por quilo e as carnes, R$ 13,10 por quilo. As conclusões do estudo foram publicadas em inglês em 19 de janeiro, na última edição da revista científica Public Health Nutrition , da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Constam no artigo "What to expect from the price of healthy and unhealthy foods over time? The case from Brazil" ("O que esperar do preço das comidas saudáveis e não-saudáveis com o tempo? O caso do Brasil", em tradução livre).

 

O estudo é fruto do doutorado dela na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), sob a orientação do cientista Rafael Claro. Eles dividem a co-autoria com Camila Passos, professora da UFV (Universidade Federal de Viçosa), e outras três pesquisadoras. As nutricionistas Ana Paula Bortoletto e Laís Amaral Martins, do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) —que ofereceu apoio institucional ao estudo—, participaram ao lado de Renata Bertazzi Levy, cientista do Nupens/USP (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde Pública, da Universidade de São Paulo).

 

O grupo usou a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) e o Sistema Nacional de IPCA (Índices de Preços ao Consumidor) para verificar quais os tipos de comida mais consumidos no país e calcularam o custo médio. Os valores encontrados foram corrigidos de acordo com a inflação acumulada até 2017, último ano com dados disponíveis no estudo. (Fonte: UOL)

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