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Hambúrguer vira prato refinado e ganha cada vez mais adeptos

Número de estabelecimentos especializados em sanduíches sofisticados cresce no país

02/02/2015

Popularizado graças à demanda por alimentação rápida em tempos de industrialização, o hambúrguer seguiu o rumo de tantos outros pratos e ganha ares cada vez mais sofisticados desde a década passada. Em Belo Horizonte, o crescimento do número de casas dedicadas aos sanduíches sofisticados impressiona pela rapidez: desde 2010, pelo menos quatro estabelecimentos da capital mineira se destacaram na especialidade.

 

Foi entre os séculos 19 e 20 que a iguaria ganhou a forma como a conhecemos, e tornou-se marca registrada da cultura norte-americana. Contudo, o prato já existia desde o século 12 com origens registradas entre os mongóis — feito de carne de camelo e cavalo — ou em certas formações da culinária alemã. Os atuais, que desfrutam de popularidade na noite belo-horizontina, partem da fórmula tradicional dos EUA, mas se expandem em receitas elaboradas com ingredientes finos e preparo refinado.

 

O segredo do Jack's Big Burger está no corte de chorizo, peça bovina que domina a preferência dos argentinos. Extraídas do que conhecemos como contrafilé, as postas são grelhadas na brasa em ponto exato. "O corte de chorizo é mais suculento, mais macio. Pelo fato de ser assado, fica bem mais saboroso", explica o gerente Leonardo David.

 

Ele aponta como destaque na preferência dos clientes o Evita Milonga , que leva hambúrguer de chorizo e queijo gouda. Graças às habilidades do chef Percio Maia, o campeão de popularidade ainda ganhou molho chimichurri, toque de açúcar mascavo e confites de pimentão, cebola e tomate envoltos em pão de brioche.  Com lojas no Sion e na Vila da Serra, a casa rende tributos ao prato típico dos EUA até na decoração, fiel à estética dos 'diners' nos anos 1950.

 

Na Duke n' Duke, um favorito dos brasileiros é o corte que confere nobreza ao hambúrguer da casa. "Nós compramos peças de picanha e moemos", detalha Fred Garzon, um dos proprietários da rede, que divide sabores entre lojas na Savassi e no Maletta. "Muita gente quer fazer um sanduíche incrível, mas usa carnes menos nobres. Não é bom", ele explica.

 

O mais pedido por lá é o Armstrong, feito com búrguer de picanha, bacon, queijo prato, alface americano, cebola roxa e o molho da casa, chamado de 'home sauce'. "É um molho de tomate picadinho, com temperos, feito na loja. Todos os molhos e bifes são feitos na casa", garante Garzon.

 

Com ingredientes selecionados e carnes especiais, é inevitável que os hambúrgueres gourmet tenham preços mais altos que os sanduíches vendidos em lanchonetes e carrinhos de rua. A diferença nos valores não atrapalhou a proposta dos estabelecimentos, que foram bem aceitos pelo público da capital.

 

Entretanto, segundo David, a introdução de receitas mais sofisticadas em um prato tão popular precisa acontecer gradualmente. "No processo de atendimento, nosso pessoal dá sugestões ao cliente, levando-o a experimentar", relata o gerente do Jack's. "Se é a primeira vez na casa, apresentamos os sabores mais tradicionais. Aos poucos, vamos oferecendo hambúrgueres mais elaborados", ele conta.

 

Para Fred Garzon, o público  está interessado em inovações no hambúrguer, mas não a ponto de desapegar das tradições. "O Armstrong, que mais vendemos, é um dos mais básicos. Um hambúrguer mais robusto, com bacon. É muito saboroso e de alta qualidade, porém simples", ele aponta. O apreço dos consumidores pelas carnes nobres é inegável, mas talvez ainda leve tempo para que se popularizem os ingredientes que dão toques exóticos à antiga receita entre pães. "As pessoas estão abertas à inovação e sempre curiosas mas, na prática, a maioria vai pelo tradicional", afirma Fred.|

 

Fonte: Portal Pinno

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