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Fast casual movimenta alimentação fora do lar

Alimentos frescos e ligados à saúde são tendências da alimentação fora do lar

01/12/2014

Uma comida de qualidade, rápida, finalizada sob os olhos do consumidor, em um ambiente agradável, marcado pela tecnologia e sem a presença de garçons. O preço? Entre R$ 25 e R$ 35 por pessoa, acima da média do fast food e abaixo dos classificados como casual dining, que têm como um dos mais clássicos exemplos no Brasil a rede Outback. É assim que o mercado passou a definir os representantes do novo movimento de alimentação fora do lar, o fast casual, o endereço preferido de quem busca pratos saudáveis, bom atendimento e preços que cabem no bolso.

 

"A lógica extrapola o tradicional bom e barato", afirma Sérgio Molinari, sócio-diretor da área de food service da GS&MD. "Por um pouco mais do valor gasto nos fast foods, o consumidor tem a percepção de estar fazendo uma refeição mais saudável, mais fresca e preparada para ele, sem a necessidade de comer, por exemplo, rodelas de cebola porque elas não podem ser removidas do prato".

 

Na prática, o fast casual caracteriza-se pela adoção de alimentos frescos, um cardápio com opções mais conscientes ligadas à saúde e de qualidade, preparo sob os olhos do consumidor em cozinhas abertas, menu muitas vezes limitado à extensão do balcão, ofertas flexíveis, conveniência e agilidade, além de uma ambientação mais elaborada, uso da tecnologia na operação do restaurante e ausência de garçons. O cliente pede o prato, paga e vai para a mesa ou leva a refeição para comer em outro lugar.

 

"O fast casual é o modelo de alimentação fora do lar que mais cresceu em 2013 nos Estados Unidos, cerca de 17% em volume de tráfego e 10% em faturamento, embora represente apenas 6% do mercado", afirma Bob O'Brian, vice-presidente global de food service do NPD Group. "Nos últimos cinco anos o crescimento foi de 11% enquanto o fast food como um todo avançou 1,4%. Há cadeias de sucesso de comida asiática, mexicana, italiana, pizzas, hambúrguer e sanduíches, entre dezenas de outros nichos". O executivo observa que esse movimento começou a ganhar mais força a partir da crise econômica de 2008, quando os americanos passaram a ter menos dinheiro no bolso. Contribuiu também para os negócios ganharem mais envergadura a demanda por uma alimentação mais saudável, mais fresca, rápida e acessível por parte da chamada geração millenium, jovens nascidos entre 1980 e 2000.

 

Na visão de Simone Galante, diretora da Galunion Consultoria e Gestão em Foodservice, o food casual mudou o cenário competitivo americano. Há cinco anos, a rede Five Guys era apenas um competidor local. Hoje, possui mais de 1.100 lojas e outras 1.500 em desenvolvimento. Outra marca responsável por esta revolução foi a Chipotle, que é vice-líder na categoria, com vendas de cerca de US$ 3,3 bilhões, além da Panera Bread, precursora em ofertas mais saudáveis e líder do segmento com faturamento de US$ 4 bilhões.

 

No Brasil, o movimento ainda engatinha, mas a tendência é de grande expansão, na visão dos especialistas. "Vivemos um momento de transformação do tipo de oferta de alimentação em decorrência da demanda do próprio consumidor", afirma Ingrid Devisate, docente do curso de férias de food service da ESPM. "Uma boa fatia de brasileiros está cansada de fast food, quer uma comida com sabor mais caseiro, possível de ser saboreada em um ambiente mais agradável, porém preparada de forma rápida". Pesquisas apontam que mais de 75% dos consumidores querem ter uma opção de itens mais saudáveis nos menus, tanto em restaurantes de serviço completo, como de operação rápida.

 

De acordo com Ingrid, com a participação cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho e da ascensão de mais de 40 milhões de brasileiros à classe C, comer fora de casa passou a ser mais do que uma opção, em alguns casos é necessidade. E ela não está errada. O setor de alimentação fora do lar, ou food service, tem crescido em participação no conjunto de consumo de alimentos em todo o mundo.

 

No Brasil, esse segmento representava 24,1% dos gastos com alimentos em 2002 e, em 2013, estima-se que tenha chegado a 32,9%. A venda de alimento pronto responde por 33% dos operadores do mercado de alimentação fora do lar, 20% fica por conta do fast casual, 11% das padarias e 36% de restaurantes full service. Este desenho, contudo, tende a mudar nos próximos anos, com o crescimento do fast casual por aqui, assim como já aconteceu no mercado americano e na Europa.

 

Os desafios, entretanto, existem. "Apesar de toda a simpatia do brasileiro, a oferta de um atendimento mais caloroso é um dos pontos críticos dos fast casual já em operação no Brasil", avalia Simone, da Galunion. "A questão passa não só pelo treinamento que precisa ser bem mais robusto para entregar essa proposta de valor, mas também pelo ambiente das praças de alimentação que estão aquém do demandado por esse modelo de negócio".

 

 

 

Fonte: Valor Econômico Online 

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