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Demanda por cervejas artesanais gera oportunidades de negócio

Cada vez mais brasileiros estão dispostos a provar diferentes sabores, abrindo espaço para bares especializados e franquias

22/08/2014

Ale, lager, pilsen, dunkel, weiss. Nos últimos anos, esses termos têm se incorporado ao vocabulário de parte dos consumidores, acompanhando uma tendência de diversificação do mercado nacional de cervejas – alimentada por bebidas importadas e pela produção brasileira de pequenas empresas. Junto a isso estão surgindo inúmeras oportunidades de negócio, como bares especializados e franquias.

 

O país conta hoje com mais de 240 cervejarias, segundo Luiz Vicente Mendes, diretor comercial da Brasil Bier, feira realizada em Belo Horizonte que reúne dezenas de pequenos produtores da bebida. Para ele, o fenômeno é similar ao que ocorreu 30 anos atrás nos Estados Unidos, quando lá havia essa quantidade de cervejarias (hoje, são 2,4 mil). “No nosso caso, as microcervejarias estão crescendo a uma taxa de 20% ao ano, enquanto os beer pubs crescem cerca de 30%. É um potencial enorme.”

 

O primeiro passo para aqueles que desejam investir em um bar especializado em cervejas de nicho – ou que produza a própria cerveja – é especialmente agradável: apreciar a bebida e ter contato com diferentes rótulos. Depois, sugere Mendes, vale se inscrever em clubes de cervejeiros, frequentar bares especializados e até fazer cursos de sommeliers de cervejas.

 

“O empreendedor também pode procurar uma das Acervas [Associações de Cervejeiros Artesanais] espalhadas pelo Brasil. Em suas reuniões, os produtores trocam experiências e levam o que produzem para compartilhar com os pares. Apenas em Minas Gerais são 110 associados, que podem dar várias dicas neste ramo”, afirma.

 

Aqueles que já têm um estabelecimento e querem ampliar sua carta de cervejas podem frequentar as feiras do setor, onde será possível conversar diretamente com microprodutores e estabelecer novas parcerias. “O consumidor está mais exigente, chega no lugar e pede um rótulo diferente. Então, as cervejas artesanais são interessantes até para diversificar as opções de um restaurante, por exemplo.”

 

 

Novos serviços surgem com a popularização das cervejas especiais

 

A difusão da cultura das cervejas especiais tem levado empresas do setor a investir em serviços diferenciados para acompanhar o ritmo do mercado, atrair novos consumidores e fidelizar o público.

 

Um serviço derivado da “febre” das cervejas foi a combinação inusitada com o sorvete, que surgiu a partir de uma conversa informal, na loja Mestre Cervejeiro, em Curitiba. “O franqueado tem uma amiga que é mestre sorveteira formada na Itália, e possui uma fábrica de gelatos. Ela estava um dia na loja e comentou que dava para fazer sorvete de tudo, foi quando alguém sugeriu – por que não de cerveja?”, lembra o dono da marca, Daniel Wolff.

 

Os primeiros testes não tiveram tanto êxito. Segundo Wolff, a aposta em cervejas potentes para contrastar com o sorvete não funcionaram muito bem. “Então eu sugeri alguns rótulos não tão fortes para que eles testassem, e o resultado ficou sensacional”, disse. 

 

Cultura cervejeira

 

A expansão da “cultura cervejeira” acelerou a partir de 2009. A partir desse ano, começaram a surgir as primeiras lojas físicas específicas para cervejas especiais, que traziam rótulos internacionais e facilitavam o acesso às produções artesanais brasileiras. Até então, o comércio deste tipo de bebida era restrito à internet, às distribuidoras e lojas de bebidas variadas. 

 

O processo é semelhante ao que aconteceu nos Estados Unidos no início dos anos 1990. À época, as pilsens reinavam absolutas em território americano. “É algo que não tem aroma, cor ou sabor e o jeito de tomar é estupidamente gelado”, diz Eduardo Bier, fundador da Dado Bier, de Porto Alegre. “Até que nasceu um movimento que basicamente propunha o contrário disso: sabor.” A ideia pegou e, passados 20 anos, as microcervejarias americanas respondem por mais de 100 mil empregos no país, 6,5% do mercado em volume e 10,2% em faturamento.

 

Nos EUA, só no ano passado foram abertos 409 negócios relacionados às cervejas artesanais. No Brasil, terceiro maior consumidor de cerveja do mundo, estima-se que existam mais de 200 microcervejarias. As artesanais brasileiras custam, em média, três vez mais que as industriais, enquantonos Estados Unidos essa diferença é de 50%.

 

Atualmente, os frequentes eventos cervejeiros chegam a reunir duas mil pessoas, e o número de pequenos fabricantes prolifera no mesmo ritmo. Em síntese, o objetivo dos cervejeiros é fazer prevalecer entre os consumidores da bebida o espírito do “beber menos, e beber melhor”. (Fontes: G1 Paraná, Isto É, Terra)

 

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