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De garçom e lava-pratos a proprietários do maior restaurante brasileiro da Flórida

Leonardo Charamba e Alex Alencar saíram do Brasil para tentar a vida nos EUA e hoje são donos do Camila’s

17/06/2015

Fundado em 1989 em Miami e em 1994 em Orlando, o Camila’s, o maior restaurante brasileiro e o mais tradicional nos Estados Unidos, há dois anos foi comprado pelos ex-funcionários Leonardo Charamba e Alex Alencar. Os empresários foram responsáveis por toda a restruturação interna e de endomarketing do restaurante, que resultou no crescimento de 40% no faturamento. Charamba acredita que o profundo conhecimento do negócio e da história do Camila’s é o motivo dos bons resultados. “Comecei como garçom em 1997 e o Alex como lava-pratos em 2005.

 

Nesse período tivemos a oportunidade de conhecer todos os processos do restaurante até chegar à gerência. Toda essa bagagem nos possibilitou conhecer as necessidades internas e desenvolver programas que atendessem a cada uma delas, como a reforma estrutural do espaço, as aulas de inglês para os colaboradores - uma vez que a maioria de nossos funcionários é brasileira -, coaching para formação de líderes e psicólogo à disposição dos funcionários, entre outros. Hoje entendemos que o nosso maior patrimônio são os nossos colaboradores”, explica.

 

A história de Charamba no Camila’s começou em 1997, quando deixou Recife (PE) aos 22 anos rumo a Orlando para fazer um estágio de dois meses como guia turístico. Com o fim do contrato, procurou o Camila’s para tentar uma vaga e aceitou o posto de garçom por três anos. Nesse período conheceu a brasileira Carla Motta, que também trabalhava como garçonete no restaurante, casaram-se e em 2000 decidiram voltar para o Brasil e tentar a vida próximos da família. A readaptação foi difícil e em 2003 ele decidiu voltar aos EUA, entrando em contato novamente com o Camila’s para tentar um novo emprego.

 

“Nesse segundo momento voltei como chefe de garçons na unidade de Miami. Saí do Brasil com minha esposa, um filho de dois anos, duas malas nas mãos e apenas US$ 300 no bolso. Foi o período mais difícil da minha vida, mas um ano depois fui promovido a gerente em Orlando e em 2005 conheci o Alex, um paraibano arretado que tinha como objetivo de vida trabalhar no Camila’s, não importando a função. No momento, a única vaga aberta era de lava-pratos, que ele aceitou sem pensar duas vezes. Anos mais tarde, ele me contou que tinha feito promessa para trabalhar no restaurante!”, lembra. Começava assim a parceria que teve como resultado a compra do restaurante.

 

Durante os oito anos seguintes, Alencar passou de lava-pratos a garçom, depois a chefe de garçom até chegar à gerência, ser demitido e recontratado em menos de 40 dias. Até que em 2013 o antigo dono do Camila’s, Manoel Briote, fez a proposta: vender o restaurante aos dois melhores gerentes na história do estabelecimento, que eram vistos como filhos para ele. “Como o Manoel ficava no Brasil e só vinha aos EUA na época da alta temporada, quem praticamente comandava o Camila’s no resto do ano éramos eu e o Leo. Mesmo assim, a proposta nos pegou de surpresa, não esperávamos que o Manoel algum dia fosse querer vender o restaurante, ainda mais porque foi o primeiro negócio que ele construiu na vida e que leva o nome de sua filha do meio, tinha um valor sentimental. Tanto que, quando ele fez a proposta, disse que só venderia para nós porque sabia da importância do Camila’s nas nossas vidas também”, conta Alencar.

 

Muito mais que um restaurante, o Camila’s é ponto de apoio e encontro para o turista e residente brasileiro, sendo considerado até mesmo uma ’embaixada’. Isso porque, além da comida e do tempero tipicamente nacional, com pratos como feijoada e churrasco, atendimento em português e programação brasileira em todas as televisões, é possível conseguir dicas de como resolver problemas de viagem, seja com orientações de como contatar o consulado brasileiro ou indicações de médicos e clínicas que atendam em português.

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