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Crise da água pode prejudicar oferta de alimentos no Brasil

Segundo diretor-geral da FAO, órgão de agricultura da ONU, estiagem pode elevar preços

02/02/2015

A oferta de alimentos no Brasil poderá cair com a crise hídrica, na opinião de José Graziano da Silva, diretor-geral da agência da ONU para agricultura e segurança alimentar (FAO). Em entrevista à BBC, ele explicou que o país passa por uma "quebra enorme" da safra de todos os produtos e que a estiagem deve resultar em preços mais altos nas prateleiras nos próximos meses.

 

"Estamos tendo uma quebra enorme da safra de todos os produtos. Até mesmo da cana de açúcar, que é bastante insensível ao regime de chuvas. Isso vai resultar em aumento de preços", disse na última cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), na Costa Rica, na semana passada. 

 

Silva acredita que a estiagem pode elevar os preços dos alimentos de forma substancial. "Há uma irregularidade da produção. Situações de seca, que antes se repetiam a cada cem anos, agora ocorrem a cada 20 anos."

 

Para ele, há duas frentes a se trabalhar: promover estoques em áreas que o país ainda não tem e utilizar culturas mais produtivas, que resistam melhor a secas. "O Brasil tem alguns estoques bons, como o de milho, fruto da boa colheita do ano passado, mas não tem em outras áreas. Precisa até importar trigo", disse. 

 

Para ele, o Brasil terá de ampliar seus estoques de alimentos e privilegiar culturas mais resistentes a secas, já que o calor e a falta de chuvas estão cada vez mais frequentes por causa das mudanças climáticas. Ele ressaltou que os efeitos do El Niño (superaquecimento das águas do Pacífico que esquenta a atmosfera) foram muito maiores que o esperado. "Estiagem prolongada prejudica a agricultura e expõe deficiência no planejamento de grandes cidades do Sudeste", destacou. 

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