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Cozinhando sobre o mar: papo direto com o chef Elielcio Angelo

Elielcio é chef do restaurante flutuante Marola, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro

28/03/2017

Em convívio com a gastronomia desde os oito anos de idade, o chef de cozinha Elielcio Angelo, depois de passar por várias cozinhas, de pizzarias a hotéis, se apaixonou por Ilha Grande, em Angra dos Reis-RJ, e por lá ficou. Há cinco anos, é chef de cozinha na região e hoje trabalha em um restaurante flutuante, em meio a um cenário paradisíaco. Ele trocou a rotina estressante da capital carioca, onde pegava trem de madrugada para chegar ao trabalho, por uma vida mais saudável e tranquila, mas com desafios que precisaram ser superados.


Conte sobre o início de sua trajetória até chegar à ilha.
Comecei na gastronomia muito cedo, com minha mãe, que já me levava para o restaurante com oito anos de idade. Tomava o trem às 3:30 da manhã, e minha vida sempre foi no meio de alimentos e bebidas. Trabalhei em pizzaria, em outros restaurantes e também passei pelo hotel Santa Tereza, onde fui estagiário. Depois fui trabalhar em um restaurante italiano em Botafogo, que foi o último antes de chegar na Ilha Grande.


Por que decidiu viver em um local mais afastado, em meio à natureza?
Chegando na ilha me apaixonei. Tinha uma carência enorme de mão de obra qualificada, com muita rotatividade de turistas. É tanta beleza natural me atraiu e decidi morar lá, onde já estou há cinco anos. Fiquei três anos e meio no restaurante Kebab e hoje trabalho em um restaurante flutuante em pouso, no caminho da praia de Lopes Mendes, o Marola.


Qual é o desafio de trabalhar em um local com pouca estrutura?
O desafio de trabalhar na ilha é a constante falta de estrutura, equipe e logística de compras, pois tudo vem do continente, só que, muitas vezes, com perda de qualidade dos produtos, passando por vários transportes até chegar na cozinha. Frutas e verduras, por exemplo, chegam do Ceasa-RJ, e alguns produtos estão no próprio local de trabalho, chegando por meio de barco de pesca e pescadores locais. O único problema é que aqui em pouso não temos energia elétrica, tudo é a base de geradores. Equipamentos vem tudo de Angra dos Reis ou da capital do Rio de Janeiro, temos que sempre ir a esses locais.


O cardápio do restaurante, até pela facilidade de ter alimentos, como peixes, frescos, prioriza uma alimentação mais saudável?
O cardápio é bem simples, mas sempre temos pratos do dia voltado a frutos do mar. Aprendi muito a manusear mariscos, pescados de distintas espécies e frutos do mar em geral. A tendência é não trabalhar com fritura e convidar os clientes a comer de forma mais saudável.


Financeiramente a mudança foi viável? Como se adaptou a essa transição?
Tive que me adequar financeiramente, pois aqui o custo de vida é diferente da cidade. Porém, não tem muito em que gastar, pois estamos ilhados. Em contrapartida, temos mais qualidade de vida e estamos longe de todo estresse da cidade, trânsito, poluição, etc. Para quem gosta de viajar e se aventurar, aqui ainda é um bom lugar para se viver e necessita de mão de obra sempre.


Você pretende ficar em definitivo e montar algo seu? 
Pretendo ficar mais um tempo, sem planos de ir ou ficar, deixo rolar, mas é claro que se tiver a oportunidade de abrir algo próprio seria interessante, até pela própria experiência de ilha, o que ajudaria muito.


Na verdade, você já tem um negócio próprio, um food bike. Como este projeto se desenvolveu?

O projeto comida de rua Delírios Burguer nasceu de uma parceria com um amigo, e hoje sócio, Tadeu Santos. Reformamos uma bike com material reciclado do lixo, assim mantendo a filosofia de gastronomia de rua de não ser poluente. Mantivemos esse projeto em uma praça no Recreio dos Bandeirantes, onde estivemos por oito meses, com recorde de 80 hambúrguer por noite. Depois fizemos alguns eventos e agora, pela primeira vez, implantamos na Ilha Grande, em Abraão. Já com pensamento no futuro, pensamos em trabalhar a bike itinerante, mantendo o preço e qualidade final.

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