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Consultores preveem esgotamento da onda das paletas mexicanas

Investidores, porém, acreditam no futuro do negócio

05/02/2015

Em tempos de paletas mexicanas, o investidor capaz de provocar uma fila de consumidores sedentos em frente ao seu estabelecimento é rei. E essa informação se espalhou com tanta rapidez quanto os carrinhos, quiosques e lojas especializadas em vender os 120 gramas de frutas congeladas a um preço médio de R$ 8.

 

Como aconteceu com tantos outros produtos, de frozen iogurte a bolos caseiros, os “paleteros” formaram uma onda de consumo que, conforme analisam especialistas consultados pelo Estadão PME, pode estar perto de se esgotar. “Compensa entrar nessas ondas no início do sucesso. No caso das paletas, a onda já passou, a capacidade de retorno não é mais a mesma de 2 ou 3 meses atrás. Sobrevive quem tem plano de negócios e um marketing definido para cada momento”, explica a consultora em gastronomia da Anhembi-Morumbi Vera Araújo.

 

O consultor de negócios Marcus Rizo está ainda mais pessimista em relação ao mercado de paletas mexicanas. “Prevejo uma quebradeira em 2015, que já começou a acontecer no ano passado. Trata-se de um produto sazonal, movido a um modismo. Negócios baseados em produtos assim geralmente são mal estruturados. É uma história que se repete”, analisa.

 

Para quem está no mercado, o momento é de reflexão e reestruturação. É o que Gabriel Jorge Fernandes, sócio da paleteria Me Gusta, tem priorizado no início de 2015. O empresário chega a vender 100 mil picolés ao mês e garante nunca ter vivido uma retração de vendas desde que começou o negócio, em 2013.

 

“As filas já diminuíram e sabíamos que o mercado reagiria assim. Vincular a marca à paleta, ao México, está começando a soar negativo. Por isso, reforçamos nossa posição como picolés artesanais. Vamos buscar diferenciais com publicidade e sabores novos”, planeja Fernandes.

 

O empresário Augusto Chiarelli não se intimidou com o eventual pessimismo e há seis meses decidiu se tornar um dos 15 franqueados da rede Los Paleteros em São Paulo, que já acumula 73 unidades em todo o Brasil. Em 2014, a marca chegou a faturar R$ 70 milhões. Para ele, uma relação estreita com o cliente e com o franqueado pode sustentar o investimento.

 

“Conversei com alguns franqueados que me disseram ser um negócio sólido. Optamos pela franquia por já ser estruturada pois, como não somos do ramo, não tínhamos expertise alguma. O público que nos visita é consolidado. Tem aqueles que vêm pela novidade, mas aparecem vez ou outra”, explica o investidor, que está satisfeito com a média de 20 mil picolés que vende ao mês.

 

Para Marcus Rizzo, antes de investir em uma franquia de paletas mexicanas, o ideal é seguir o procedimento adotado por Chiarelli e consultar franqueados que já estejam no mercado. “Quem pensa em abrir algo assim deve conversar com pelo menos quatro franqueados da área sobre rentabilidade, faturamento, marketing. É como se você pudesse falar com o ex-marido da mulher com quem vai se casar”, define.

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