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Conheça as vantagens e desvantagens de abrir uma franquia

Força da marca, plano de negócios definido em um modelo já testado e facilidade para negociar preços juntos aos fornecedores para a rede são alguns dos motivos que fazem o mercado de franchising oferecer menor risco ao empresário e ser mais resistent

29/09/2016

 

 

Do total de mais de um milhão de estabelecimentos que operavam no País em 2015, 23.932 eram unidades de franquias, de acordo com a ABF(Associação Brasileira de Franchising), o que representa 2% desse mercado. Dentro do setor de franquias, o mercado de alimentação tem participação relevante: um quinto das três mil marcas. Segundo dados da ABF, o segmento de alimentação apresentou crescimento de 9,4% em 2015 em comparação ao ano anterior, ocupando o quarto lugar no ranking de faturamento no Brasil, e há estimativa de que este crescimento se mantenha para 2016. “O franchising vem seguindo movimento contrário da economia, com crescimento desde 2002. 95% das franquias ultrapassam os três primeiros anos enquanto 37% dos negócios independentes não chegam a completar 12 meses. Temos R$ 39 bilhões de faturamento e crescimento de 7 a 8% ao ano”, destaca Leandro Jesus, sócio da unidade de SP do grupo Multiply Consultoria, empresa especializada em franquias.


Os dados mostram uma maior resilência diante da crise. “Riscos existem na atividade empresarial, mas, em momentos de crise, as franquias trazem uma segurança maior. Enquanto mais de 80% das franquias de alimentação sobrevivem, no independente é este mesmo percentual que fecha, é uma pirâmide investida O mercado food service, em geral, teve uma queda de 30%. A economia como um todo diminui a capacidade de gasto das pessoas. O mercado de franquias teve uma queda menor porque oferece maior custo-benefício para o consumidor, que está migrando para este tipo de rede. Isso porque, além da força da marca, você consegue ter maior poder de barganha com os fornecedores, conseguindo não repassar para o consumidor”, justifica João Baptista Junior, coordenador do Comitê de Alimentação da ABF.

 

Diminuição do risco

 

Para quem deseja abrir o próprio negócio e se interessa pela área de gastronomia, franquias são uma boa opção por se tratarem de empresas consolidadas, que já possuem suporte e todo modelo formatado e testado. “Nenhum investimento dá garantia, mas há maior chance de sucesso em uma franquia, pois o franqueado terá todo amparo, vai percorrer um caminho que outras pessoas percorreram e que deu certo. Há várias pessoas pensando no negócio, você tem para quem recorrer. Basta replicar o modelo que já deu certo. Você vai fazer parte de um negócio já testado, com maior índice de chance de sucesso, com uma marca já consolidada que tem divulgação e um plano de marketing”, afirma Rodrigo Ramiro, da RZD Consultoria.

 


Há ainda um planejamento definido dos custos de instalação do empreendimento. Este é um ponto importante, já que a falta de um bom plano de negócios é o principal motivo de fechamentos dos estabelecimentos do food service. “O sistema de franquia oferece diversas vantagens para franqueadores e franqueados. Podemos destacar algumas delas, como: iniciar um negócio contando com a credibilidade de um nome ou marca já conhecida no mercado; a existência de um plano de negócio estruturado e ainda ter economia de escala. O franqueado também poderá aproveitar a vantagem competitiva de seu franqueador, que já testou seus produtos e marcas no mercado”, lista Heloisa Menezes, diretora-técnica do Sebrae.

 

Limitações

Para participar de uma rede de franquias, o empresário precisará estar disposto a abrir mão de parte de sua liberdade de atuação, uma vez que deverá seguir um padrão definido pelo franqueador e permitir que seja verificado o seu cumprimento. “Apesar da autonomia não ser total, o franqueado tem independência jurídica e financeira em relação ao franqueador. Esse sistema oferece ainda a possibilidade de pesquisa, desenvolvimento e inovação pelo franqueador que, depois de testar novos produtos ou aperfeiçoar aqueles já existentes, disponibiliza-os para a rede de franqueados”, diz Heloisa. A flexibilidade quanto à novas ideias e participação nas inovações varia de uma rede para a outra.

 

 

 

“O franchising vem seguindo movimento contrário da economia, com crescimento desde 2002. 95% das franquias ultrapassam os três primeiros anos enquanto 37% dos negócios independentes não chegam a completar 12 meses. Temos R$ 39 bilhões de faturamento e crescimento de 7 a 8% ao ano” - Leandro Jesus, sócio da unidade de SP do grupo Multiply Consultoria

 

Identificação com o perfil

 

Quem quer abrir uma franquia, deve, além de conhecer e se adequar ao sistema de franchising, se identificar com o segmento e marca do negócio que escolher dentre as possibilidades compatíveis com o valor a ser investido. Conhecer bem o seu perfil, suas habilidades e características é essencial para definir qual é o melhor estilo de negócio e segmento para atender aos seus objetivos. “Antes de abrir um negócio, seja ele franquia ou não, o empreendedor deve se capacitar e planejar corretamente o negócio. É preciso estudar o mercado, consultar especialistas, pesquisar sobre as opções de franquias desejadas, ou seja, buscar o máximo de informações possíveis antes de assumir qualquer compromisso”, recomenda a diretora-técnica do Sebrae. 


Após escolher o segmento de atuação, a definição da marca demanda um intenso trabalho de pesquisa de reputação da empresa a ser escolhida e sua solidez no mercado. “Pesquise bastante, se informe sobre a empresa, verifique se os princípios batem com os seus e, principalmente, converse com vários franqueados e ex-franqueados. Veja se o dia a dia deles é o que você espera que seja o seu, conheça os desafios da marca, pergunte sobre todos os pontos fracos e as dificuldades de se trabalhar com aquele produto. Enfim, conheça onde você está entrando”, aconselha Adriana Auriemo, diretora da rede de franquias Nutty Bavarian. E como em qualquer negócio, mesmo em uma franquia, a dedicação do empreendedor é fundamental. “Quem quer abrir uma franquia tem que estar ciente do trabalho de uma franquia de alimentação e estar disposto a estar presente. O negócio precisa do seu trabalho e isso minimiza o risco. A rede não faz por você, tem que ter comprometimento”, ressalta, Neto Morozinni, responsável pela expansão da rede DNA Natural.

 

“Quem quer formatar seu negócio precisa que ele esteja muito bem consolidado, com tudo bem definido. E entender que seu negócio mudou, eu tinha uma agência e em um ano e meio passei a ter uma empresa que ajuda quem quer ter uma agência. Estude, leia a lei de franquias e a Circular de Oferta de Franquias, documento que especifica o que toda franquia deve ter” - José Rubens 

 

 

Quer ampliar sua marca?

 

Para quem já tem um negócio próprio de sucesso, replicar o modelo é uma excelente opção para expandir mais rapidamente, além de aumentar o valor da marca e criar uma cadeia de fornecedores para negociar a compra. “Bons parceiros ajudam no crescimento da marca em locais onde seria bem difícil operarmos sozinhos. Franqueados locais conhecem seus mercados muito mais que a gente, e ter o dono do negócio no dia a dia também pode ser benéfico. Em uma rede temos muitas cabeças pensando a favor do negócio, e podem surgir ótimas ideias”, analisa Adriana Auriemo.
 




Entretanto, é recomendável, de acordo com Heloisa, que o franqueador analise o seu perfil como empresário e verifique se o seu negócio atende a alguns requisitos básicos, como possuir um modelo de negócio testado e bem-sucedido, que possua um diferencial competitivo reconhecido no mercado e cujo modelo possa ser padronizado e reproduzido; ter controle administrativo-financeiro sobre sua própria operação e condições de acompanhar o desempenho dos franqueados; e viabilidade econômico-financeira do negócio, para que o franqueado obtenha o retorno sobre o capital investido em um prazo razoável.

“Primeiramente é preciso testar. Deixe que sua empresa amadureça, isso evitará problemas futuros. Além disso, é esta a essência do franchising: uma fórmula que deu certo. Franquias não nascem da noite para o dia”, aconselha Rainer Faria, da marca Chiquinho Sorvetes. “O sucesso de qualquer negócio é o planejamento e implantação. O primeiro item é o plano de negócios, estudo detalhado da empresa e um planejamento dos próximos anos para garantir o sucesso dos franqueados. Analiso o retorno de investimento do franqueado, quanto fatura ao ano, olho também as mídias sociais, sites e meios de divulgação”, Leandro Jesus.

 


O empresário deve ainda saber liderar e estar disposto a dividir responsabilidades e decisões, para estabelecer um bom relacionamento na rede e o cumprimento às determinações da franquia. Ter capital para investimento também é essencial, uma vez que não deve esperar que os recursos para a implantação do sistema saiam das vendas de franquias. E, antes de tudo, ter o registro da marca e, havendo produtos desenvolvidos pelo franqueador, também o registro de suas patentes. João Baptista alerta: “Não faça de maneira amadora. O franqueador tem que ter o estudo dos processos muito bem definidos, tudo muito claro. Tem que saber ouvir, fazer e ensinar a marca registrada e pensar estrategicamente a longo prazo. 

 

“Primeiramente é preciso testar. Deixe que sua empresa amadureça, isso evitará problemas futuros. Além disso, éesta a essência do franchising: uma fórmula que deu certo. Franquias não nascem da noite para o dia” - Rainer Faria, da marca Chiquinho Sorvetes

 

 

Chiquinho Sorvetes: De 45 para 380 unidades em cinco anos?

 

 

A história da Chiquinho Sorvetes começou na década de 80, quando Isaias Bernardes de Oliveira abriu a primeira loja com o apoio do pai, Francisco Olímpio de Oliveira, o Chiquinho, na cidade de Frutal, Minas Gerais. Nos anos seguintes, a rede cresceu com a participação dos familiares em cidades vizinhas. Em 1998, já com uma pequena rede de lojas, Isaias implantou o uso das máquinas de sorvete soft e desenvolveu uma receita própria para a base do sorvete, que se tornou o grande diferencial da empresa. 


O sistema de franquias foi implantado apenas em 2010, quando a marca já possui uma rede com 45 unidades. Para seguir seu plano de desenvolvimento, a CHQ Companhia de Franchising criou um centro de distribuição próprio e exclusivo para atender toda a rede Chiquinho Sorvetes. Em 2016, a marca atingiu o número de 380 unidades espalhadas pelo país. “A expansão aconteceu naturalmente, somente anos depois, com a criação da franqueadora é que conseguimos traçar objetivos e crescer de forma planejada. A expansão, então, passou a acontecer de forma planejada, com a estrutura completa para oferecer o suporte necessário à gestão das unidades franqueadas. Fizemos uma super operação a campo no início, para que conseguíssemos padronizar todas as unidades familiares que tínhamos na rede. Essa foi a maior dificuldade”, revela Rainer Faria, sócio proprietário do Grupo CHQ – gestor da marca Chiquinho Sorvetes.

 

 


Faria conta que para 2016, a previsão é que haja 90 novos pontos em todo o país. “Estamos com um plano de expansão bastante ativo nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, e também em todo o estado do Rio Grande do Sul. Também trabalhamos no processo de internacionalização da marca, até o meio de 2017, já estaremos com unidades nos EUA”. Porém, lidar com um crescimento tão grande e administrar unidades em todo Brasil é um grande desafio. “Temos franqueados de diversas partes do país, com diferentes pontos de vista e experiências locais. Na medida do possível, procuramos sempre ouvi-los, isso agrega bastante à nossa marca”. 

 

 

DNA Natural: expectativa de crescimento com modelos compactos 

 

A primeira loja da DNA Natural foi implantada no Shopping Iguatemi de Florianópolis em 2007. O sucesso foi tão grande que os próprios frequentadores passaram a questionar se faziam parte de uma franquia, o que despertou o interesse da marca em saber mais sobre o sistema. “Quando abrimos a segunda loja vendemos a primeira para investir na formatação da rede de franquia, em 2009, e contratamos uma consultoria. É um tipo de alimentação que está crescendo, e é um nicho que não é modinha como aconteceram com outros segmentos. É uma tendência mundial. As pessoas estão mais informadas buscando um lifestyle e alimentação saudável”. 

 

 


A rede hoje tem 55 unidades em todo Brasil e até o final de 2016, a meta de expansão é crescer quase 100% em número de franquias. “Só este ano abrimos quatro.  Estamos abrindo em outros formatos mais compactos, como delivery, eventos, foodtruck,  e queremos chegar a 30 unidades no ano que vem. Tivemos um sucesso grande que não esperávamos, abrimos em um só ano 24 unidades, e o momento é muito bom para quem quer investir, porque é melhor para negociar enquanto muitos recuam”, conclui Neto Morozinni.

 

 

 

 

 

 

NuttyBavarian: aposta no mercado internacional 

 

Empresa pioneira e especializada em amendoins, castanhas, nozes, amêndoas, macadâmias e outros grãos glaceados, sem fritura, a Nutty Bavarian surgiu em 1996 no Brasil e no ano seguinte já tinha entrado para o sistema de franquias. “Por ser um produto novo, nosso plano era entrar no maior número de locais possíveis, para evitar a concorrência. Já tinha feito um curso de franquias, conhecia bem o sistema e sabia que este era o canal ideal para isso. Contratamos um bom advogado na época para elaboração da COF e dos contratos. De lá pra cá, tanto a diretoria quanto toda a equipe sempre fez diversos cursos de franquias e já tivemos auxilio de algumas consultorias também”, conta Adriana Auriemo.

 



Quando a Nutty Bavarian iniciou com a franquia tinha cerca de dez unidades, hoje são nove pontos próprios e 128 franquias, além de quatro pontos nos Estados Unidos, apresentando um crescimento de 20% ao ano. A marca agora está expandindo para os Estados Unidos, com duas unidades em Orlando, na Flórida. A meta é chegar a dez unidades até meados do próximo ano, além de chegar a todos os cantos do Brasil. “Em dezembro de 2015 a Nutty Bavarian americana nos convidou para levarmos nosso modelo de negócio pros Estados Unidos. Em março abrimos a primeira unidade em Orlando, Florida, no Florida Mall, e em setembro inauguraremos a quinta unidade em Tampa. Lá trabalhamos com um sócio-operador. A Nutty Bavarian americana é nossa principal fornecedora, mas usamos o formato brasileiro no quiosque, nos produtos e na maneira de vender e controlar o negócio”. 

 

 

 

Adriana conta que migrar para o mercado internacional acompanha muitos desafios. “O principal deles é gente. Aqui já temos um processo de recrutamento, contratação e treinamento que não funciona da mesma maneira por lá. Toda a parte burocrática nos Estados Unidos é bem mais simples. Parece que lá tudo te empurra para cima, é tudo feito ‘pró’ empresário. Os desafios são mercadológicos. Como não temos todos os ‘perrengues’ que encontramos por aqui, a concorrência é muito maior”. 

 

China House: crescimento comedido e qualificado

 

A marca iniciou suas atividades em 1995 e em 2001 abriu o negócio para o modelo de franquias depois de estudar o processo, estruturar a empresa e contar com o auxílio da ABF e de uma consultoria de profissionais especializados. Porém, em 20 anos de atuação a rede conta 11 unidades, um crescimento comedido, pois o principal objetivo é manter a excelência nos produtos e atendimento. “Temos o pé no chão e não queremos um crescimento ambicioso. Sempre mantivemos a qualidade, processos e bons parceiros. Franquiar é dividir o que você tem de melhor. Temos um cronograma de aprovação do candidato e fazemos um teste drive na loja. O futuro franqueado passa o dia todo trabalhando, do atendimento à cozinha, e conhece tudo”, revela Jorge Torres, diretor de franquias da China House sobre o rigoroso sistema de seleção dos franqueados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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