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Brasil é o 5º maior mercado do setor de alimentos e bebidas saudáveis

Vendas do segmento movimentam US$ 27,5 bilhões no país

04/08/2016

A busca por um estilo de vida mais saudável deu lugar a uma série de novas empresas, amparadas na produção de alimentos orgânicos, sem lactose, sem glúten, sem gordura e mais naturais. O Brasil já é o quinto maior mercado de alimentos e bebidas saudáveis, com volume de vendas de US$ 27,5 bilhões em 2015, segundo levantamento da Euromonitor. A velocidade de crescimento do segmento impressiona: de 20%, em média, desde 2012 contra 8% no resto do mundo.

É de olho nesse potencial que diversas companhias surgem no mercado. As novidades vão desde uma empresa criada para reformular as lanchonetes das escolas até fundos de investimento que apostam na importação de purê de frutas embalados em sachês. Muitos negócios começaram de maneira despretensiosa.

 

Números

Mas o potencial de retorno econômico de ideias como essa é tão atrativo que o fundo de investimento Joá e a Play Capital lançaram em novembro a PIC-ME, que vende purês de frutas embalados em sachês sem açúcar ou conservantes. A previsão é estar em 95% do território nacional em 2017.

“Nossa expectativa é ter faturamento de R$ 9 milhões neste ano. Para 2017, queremos mais que dobrar o resultado”, disse Thiago Burgers, diretor executivo da PIC-ME, que é vendida em São Paulo, Rio, Ceará e na Região Sul.

A projeção de crescimento de dois dígitos é a característica em comum entre os negócios ligados a versões mais saudáveis de alimentação. Estudo da consultoria internacional Mintel comprova que a crise passa longe deste setor: quatro em cada cinco (ou 83%) brasileiros estão dispostos a gastar mais para obter um alimento saudável.

O material, obtido com exclusividade pelo GLOBO, aponta ainda que 30% dos consumidores querem maior variedade de itens desta categoria disponíveis no varejo. “Apesar do cenário econômico pouco favorável, a preocupação com o corpo e com o estilo de vida pode impulsionar o crescimento do mercado de alimentos saudáveis”, explicou Naira Sato, especialista da Mintel.

O estudo da consultoria Nielsen em parceria com a Equilibrium taambém corrobora o entusiasmo dos empresários: 44% dos consumidores dão preferência a produtos sem corantes artificiais e 42% optam por itens sem sabores artificiais.

 

Lanches saudáveis

Um exemplo dessas empresas é a Lanche&CO, que se propõe a reformular as cantinas escolares retirando salgadinhos e refrigerantes do cardápio para dar lugar a opções frescas e naturais. A especialista em alimentação natural e fundadora da empresa, Lara Folster, viu o que era só cuidado com o filho virar a fonte de renda da família.

A Lanche&CO já está hoje em três escolas de São Paulo, uma no Rio e outra em Santos. Quando é contratada por uma escola, uma das metas da empresa é oferecer opções saudáveis sem elevar o gasto mensal dos pais com o lanche.

Já a Verde Campo, especializada em produtos lácteos saudáveis, como os sem lactose, quintuplicou sua oferta de 2012 para cá. A empresa transforma diariamente 130 mil litros de leite em 70 itens diferentes.

Álvaro Gazolla, diretor comercial da empresa mineira, diz que, desde 2012, a empresa tem tido crescimento acelerado. No ano passado, a Coca-Cola anunciou a aquisição da empresa, por meio da Leão Alimentos, numa operação que está próxima da conclusão. Em 2014 e 2015, o faturamento da Verde Campo cresceu 45% ao ano.

 

 

Marmitas gourmets

Alimentos frescos, preparados com pouco sal e pouca gordura, feitos na hora também integram a categoria. Foi com esse pensamento que a publicitária Cacau Melo decidiu abandonar a carreira para abrir a All Light, que faz marmitas com toque gourmet. O menu completo, desde o café da manhã até o jantar, é vendido por R$ 71 por dia.

As marmitas frescas (feitas pela manhã) estão só em São Paulo. De olho na demanda nacional, Cacau elaborou versões congeladas. “Hoje entrego 150 kits de menu completo em São Paulo e produzo dez mil congelados por mês. Quando comecei tinha só dez clientes”, afirma.

A DoPomar chegou ao mercado em 2012 com a Petit Fruit, linha de purês de fruta sem conservantes. Nos últimos dois anos, viu as vendas saltarem de 200 mil para 1,25 milhão de unidades por ano. Está em varejistas de peso, como Pão de Açúcar e Walmart, além dos focados em alimentos saudáveis, como Mundo Verde e Via Verde. Este ano, deu início a uma expansão de portfólio.

Em março, lançou a LaSoupe, linha de sopas em creme, e a Alfa, fruta em barra. Os purês e as sopas, por enquanto, vêm da França. Com os novos produtos, dobrou a equipe para 50 funcionários e prevê duplicar o faturamento para R$ 6 milhões. “A partir do ano que vem, vamos fabricar os purês no Brasil. A quantidade de açúcar vai cair de 3% para zero. Sem importação, o preço para o consumidor final vai recuar em 15% e poderemos exportar”, explica o sócio Raphaël Feuilloy.

Fonte: PEGN

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