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Bares temáticos

Opção para se diferenciar em meio a tantos estabelecimentos mostra-se uma tendência. Conversamos com especialistas e empreendedores que destacam algumas particularidades deste tipo de negócio e os cuidados a serem considerados

16/09/2014

Rey Castro

Em São Paulo, há um milhão de bares, restaurante e similares, segundo dados da Abrasel-SP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo). Em um mercado tão competitivo, a disputa pelo cliente não se restringe somente a servir a batata frita mais crocante ou a cerveja mais gelada. E se diferenciar em meio a um mar de opções não é uma tarefa fácil. 


Uma saída encontrada por alguns empreendedores é transformar o bar ou restaurante em algo mais que um local para reunir os amigos. Inspirados nos universos da aviação, náutico, cinema, música, futebol, quadrinhos, tecnologia, ou por outros países e culturas, desenvolvem espaços que ultrapassam o conceito dos estabelecimentos tradicionais. Para Percival Maricato, presidente da Abrasel, a tematização e personalização de bares é uma tendência. “É um movimento permanente, pois muitos consumidores procuram por novidades”, afirma.


As casas temáticas mexem com a emoção das pessoas, que criam uma identidade com aquele ambiente. “Quando você trabalha com a paixão das pessoas é mais fácil atrair esse público, a frequência é maior. Quando há uma temática voltada a algo que a pessoa gosta, é maior a probabilidade dela voltar, pois será atraída naturalmente”, avalia  Marcelo Sinelli, consultor do Sebrae.

 

Imersão no tema

 

A criação de uma casa temática envolve mais que uma culinária específica ou alguns objetos simbólicos na decoração. A tematização engloba uma série de itens que precisam ser pensados, estudados e aprimorados para remeter o local ao tema, como o próprio nome, cardápio, decoração, música, mobília, uniformes, fachada, entre outros, a fim de transportar o cliente para aquela vivência e compor uma correta harmonização.  
“O empreendedor deve se preocupar em caracterizar de fato o estabelecimento. Se vai fazer algo inspirado na Alemanha, não basta o nome, alguns pratos e três cartazes na parede. Tem que investir, procurar material, talvez convenha visitar a embaixada, o País, ler muitas revistas, enfim, encontrar muitos elementos que lembrem a Alemanha. No temático o cliente não pode ficar decepcionado”, destaca Maricato.


Os elementos precisam estar muito bem amarrados para satisfazer a expectativa do cliente. Além do óbvio, para que o tema seja reconhecido mesmo por leigos, é fundamental o aprofundamento e diferenciais, já que o frequentador, em boa parte, é conhecedor do assunto e prestará atenção nos detalhes. “Não adianta colocar fotos do Charlie Chaplin e da Marilyn Monroe e falar que o bar é sobre cinema, o cliente não é bobo. Tem que trabalhar e dosar muito bem para não frustrar, porque para reverter depois demanda muito investimento”, explica Sinelli.


Para Jorge Sabongi, idealizador da casa de chá egípcia Khan El Khalili, é preciso ter sensibilidade para montar um estabelecimento temático. “Não adianta tocar música de FM ou colocar garçons comuns atendendo em um restaurante amazônico ou sertanejo, tem que ser temático do começo ao fim. O grande problema das casas temáticas é que elas não são temáticas, não despertam as sensações, o cheiro, o aroma, a audição e o paladar”, sublinha

 

A bordo do The Sailor

O The Sailor Legendary Pub é um bar que remete ao interior de um navio e tem seu nome em homenagem ao tatuador Sailor Jerry. A decoração ganhou objetos como escotilha de navio, luminárias, baús e outras peças, que foram importadas da Argentina para dar um toque especial à casa e podem ser conferidas por todos os espaços. 
Nas paredes existem ilustrações de mapas, pin ups e marinheiros, assinadas pelo artista plástico Gaston Tucci. Todos os móveis do bar foram feitos de madeiras antigas de demolição. Para completar o clima, garçons e garçonetes desfilam por todos os ambientes trajando uniformes de marinheiros, criados especialmente para o pub, que conta com três ambientes:
pista, mezanino e roof bar.  

 

The Sailor

The Sailor Pub The Sailor Pub

 

Informações e dicas para quem pretende desenvolver uma casa temática:

 

  • Modismos podem ser uma armadilha. O interesse por um país ou cultura certamente durará, mas o tema da novela ou de alguns filmes logo será esquecido.
     
  • Inspirações sobre o assunto podem decorrer a partir de uma viagem, uma notícia ou um livro famoso. Tente buscar um tema que não foi explorado.
     
  • Cuidado para não cair no óbvio. Mergulhe no tema e busque muito mais que as referências básicas.
     
  • Extrapole um pouco o conceito, com sarau, exibição de filmes, jogos de futebol antigos e atrações específicas para criar uma interação. Proponha sempre novas atrações semanais para que esse público retorne.
     
  • Os detalhes fazem a diferença, a decoração na porta do banheiro, o enfeite na comida, e mostram o carinho e a preocupação em fazer o melhor.
     
  • O ideal é colocar elementos essenciais, um ícone capaz de fazer qualquer pessoa remeter ao tema, e o que faz parte do estudo profundo, para que conhecedores reconheçam a riqueza de informações.
     
  • Um bar temático não irá demandar, necessariamente, um investimento maior. Em alguns casos terá que fazer viagens, comprar objetos específicos, o que, às vezes, pode ser compensado com a criatividade. 
     
  • Em contrapartida, apesar de talvez conseguir atingir um ticket médio maior, não espere um retorno acima da média, a tematização é uma estratégia apenas para se diferenciar e atrair mais clientes.
     
  • Uma vantagem desse tipo de estabelecimento é o marketing espontâneo que acaba gerando. É comum um cliente comentar com um amigo, o famoso boca a boca, mas não conte somente com essa ferramenta de marketing.
     
  • A desvantagem é que tanto estudo demanda um tempo maior de planejamento e implantação, além de dificuldades de manutenção, como decoração, pratos e chefs especializados.
     
  • Dependendo do tema, se por um lado diferencia e fideliza um público, também limita e repele outro que não curte o estilo ou que não gosta de bares temáticos.  Porém, na maioria dos casos, é comum atrair curiosos e ter vantagem competitiva.
     
  • A elaboração do cardápio exige atenção especial, pois são necessárias adaptações de pratos com cultura e paladares diferentes do brasileiro. É importante servir à parte condimentos específicos de outras regiões e não ignorar a cozinha original, fazendo uma mesclagem.
     
  • Mantenha a qualidade do serviço que você propôs desde o início, seja na alimentação, atendimento ou música e atividades de entretenimento. Se você descuidar de uma área começa a perder público, que hoje em dia está muito exigente.
     
  • Se perceber a perda de interesse no tema ou ele ficar repetitivo, uma solução é repaginar o local ou repensar um outro foco. É importante se renovar assim que perceber uma queda no movimento. O segredo é conseguir revitalizar o tema.
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Difundindo a cultura árabe

Formado em Economia, Jorge Sabong iniciou timidamente sua Casa de Chá Egípcia, na Vila Mariana, em São Paulo, mesmo diante das controvérsias de muitos que acreditaram ser inviável sua ideia. Juntou dinheiro aos poucos com a renda que obtinha de seu trabalho como assistente de diretoria em uma metalúrgica e, mesmo com pouco capital, apostou no projeto. Hoje, 32 anos depois, a Khan El Kalili é uma das mais famosas e consolidadas casas da cultura egípcia e árabe.
O principal atrativo da casa, além da culinária típica, são as músicas e danças. Há muitos anos, é referência no assunto e reconhecida pela qualidade das apresentações, com bailarinas e repertório selecionados rigorosamente. Porém, a casa não nasceu da forma como é hoje. A decoração egípcia e a dança do ventre, assim como as noites especiais, eventos e promoções, foram surgindo aos poucos.


Em 2002, com a exibição da novela o Clone, na Rede Globo, proliferaram escolas de dança do ventre e bares e restaurantes inspirados na cultura oriental, os quais, em sua maioria, não prosperaram após a moda. Nessa época, a Khan El Khalili, que foi uma das pioneiras e contribuiu para a popularização da cultura árabe no Brasil, já era consolidada e se firmou ainda mais.


O empresário, que começou fazendo um pouco de tudo em seu negócio, utilizou seus conhecimentos de economia para driblar crises e mudanças de planos econômicos que fecharam muitos concorrentes e sua experiência como DJ para constituir o repertório que muito contribui para o sucesso da casa. “A música remete o ser humano a outra atmosfera. Se você sabe utilizá-la, tem uma grande vantagem competitiva. É importante saber o momento certo para tocar cada música, de acordo com a resposta do público”.


A diversificação e visão empreendedora mantiveram a casa viva. Jorge Sabong revela uma de suas estratégias: “Temos vários ambientes pequenos, são 14, que comportam no total 230 pessoas. Abrimos os ambientes conforme a necessidade, para os clientes não entrarem e verem tudo vazio, como acontece em grandes salões. Esse é um de nossos pontos fortes”.


Os espaços são decorados com estatuetas, vitrais, tapetes e afrescos egípcios, o que faz com que os frequentadores se sintam fora do Brasil. “O ambiente remete a um sonho. As pessoas vão para encontrar uma outra atmosfera. Tem um agregado mágico, o ambiente e a iluminação, adequados para todas as idades, todo tipo de público”, descreve Sabong, que conta o segredo do sucesso de qualquer estabelecimento: comida de qualidade, atendimento e decoração, da casa aos acessórios das dançarinas, além de ações e atrações diferenciadas. “Estamos sempre criando novas possibilidades, como shows para o público de meia idade e tour turístico. Temos parcerias com agências de turismo”.


Outra dica é ter foco, ser fiel ao que se propôs a fazer para fidelizar o cliente. Para isso, teve que dizer alguns ‘nãos’. “Perdi muitos eventos, como por exemplo de lambada, e outros shows específicos, o que me permitiu manter a tradição. Foi assim que a Khan El Khalili se consolidou”.

 

Khan El Khalili

Khan El Khalili

 

O UNIVERSO DA AVIAÇÃO

 

A criação do Jet Lag, desenvolvido pelo Grupo Indústria de Entretenimento, especializado em bares temáticos, que já possui em seu portfólio os consolidados Rei Castro e The Sailor, seguiu uma ordem inversa. Seus idealizadores buscavam uma nova área para seu próximo estabelecimento temático, quando encontraram um terreno bem localizado, nos Jardins, área nobre de São Paulo. Porém, o local era estreito e comprido, com 10m de comprimento e 45m de profundidade. Seu formato deu, literalmente, asas à imaginação dos empresários, que perceberam que o tema aviação se encaixaria perfeitamente ao espaço. 


Compraram um avião antigo, que foi destruído para compor o pub, transformando-o em um pequeno museu. Parte das peças da aeronave e fuselagem se integra ao ambiente de 450 m², dividido em dois andares. As mesas ganharam tampos revestidos com parte da fuselagem e as asas formam a bancada dos dois bares. A hélice enfeita uma das paredes e uma área expõe a lateral da fusilagem inteira, na qual há fotos de várias partes do mundo vistas pela “janela do avião”.


Antes de chegar ao primeiro bar, um hall apresenta pequenas jóias do mundo da aviação, garimpadas ao redor do mundo por Leo Sanchez, CEO do Grupo Indústria de Entretenimento, em suas viagens de pesquisa. Há desde acessórios originais dos tempos da aviação “old school”, uma referência máxima à época de ouro da inesquecível PAN AM, como tags, malas de mão, nécessaires, miniaturas de aeronaves e Barbie Vintage Aeromoça – 1965, até a simpática réplica de um piloto de caça, apelidado de Willian, diretamente do Reino Unido.


O acesso ao segundo andar do Jet Lag é feito por uma escada rolante desativada. É na parte superior que está o camarote, recortado em acabamento que imita uma asa de avião, de onde há uma vista panorâmica do pub, inclusive do DJ em ação, o piloto da noite, que comanda as pick-ups de uma cabine de comando de avião original.  


A fachada é toda em madeira de demolição, com janelas das aeronaves e revestimento metálico. Na recepção, até as turbinas foram aproveitadas: elas envolvem o espaço dos caixas da entrada. 


Os pratos saem da cozinha em trolleys iguais aos utilizados nos voos e servidos em charmosas bandejas da extinta Varig, por atendentes vestidos de pilotos e aeromoças com uniformes aérea PAN AM, símbolo de glamour e sofisticação entre as décadas de 1930 e 1990.


Assinado pelo chef Felipe Bellim, e sócio do Jet Lag, o cardápio, em formato de Mapa Mundi, foi pensado no globe-trotter, aquela pessoa que viaja o mundo todo, com pratos, e suas devidas adaptações, que representam diversos países, como Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Argentina, França e Itália.


De acordo com Bellim, a Indústria de Entretenimento prepara mais um projeto. O objetivo é desenvolver um bar temático a cada um ou dois anos.

 

Jet Lag Pub

Jet Lag Pub

 

Ambiente latino no rey castro

 

O Rey Castro, dedicado aos amantes da salsa, merengue, reggaetone e bachata, entre outros ritmos latinos, instalado em São Paulo, traz em sua decoração cores vibrantes, com a predominância do azul, numa alusão ao mar caribenho. Móveis estilizados e luzes de neon em seus diferentes ambientes dão o clima despojado.
Logo na entrada, o Tropical Bar dá as boas vindas aos clientes com uma exclusiva carta de Frozens Drinks super coloridos, e também serve de acesso à pista de dança, que pode ser vista do alto do mezanino, com suas mesas bistrô. 


Para entrar no clima, as noites do bar sempre contam com aulas animação, que duram cerca de meia hora. Dançarinos, especialmente convidados, ensinam passos básicos para iniciantes, além dos mais complexos, para quem já está familiarizado com os ritmos. 


Ao longo de seus nove anos de sucesso, o Rey Castro se destaca por sua programação musical apurada, com shows ao vivo de quarta a sábado. No repertório, uma seleção do que há de melhor dentre todos os rimos latinos com a apresentação das atrações que têm espaço fixo na casa, como Pedro La Colina e Sexteto Cañaveral. Residente do Rey Castro, o DJ Branca tem em seu line-up hits dançantes que vão da salsa ao Pop Latino , que garantem a pista sempre cheia.

 

 

Rey Castro

Rey Castro

 

Superstar Music & Sports

Desenvolvido no  estilo dos bares americanos, o Superstar Music & Sports Bar possui diversas televisões e telas com programações individuais espalhadas pelo bar, transmitindo atrações sobre todos os esportes. O bar também conta com um palco e estrutura completa de som. A decoração é toda feita com quadros que representam grandes momentos dos esportes, grandes ídolos, bandas de rock’n roll e diversos mestres da música.


O nome, Superstar Music & Sports, remete aos ídolos da música e do esporte. No cardápio, além das várias porções “combo”, os lanches da casa também são padrão americano, com hambúrgueres de 200 gramas, muito queijo e acompanhados de fritas ou onion rings. Destaque para a variedade de cervejas da casa, com opções para gostos de diferentes países, como Dinamarca, Estados Unidos, México, Bélgica, Inglaterra, Alemanha e Brasil. 

 

Superstar

Superstar

 

Nas ruas de Tóquio

 

A decoração do restaurante de comida japonesa Nakombi, que está há 16 anos no mercado e possui franquias nos principais shopping centers paulistas, remete às ruas de Tóquio. 


No cardápio, os “Kombinados” de sushi e sashimi se destacam. Sobre o balcão central, em formato de Kombi relembrando o início da história do restaurante, circula uma esteira com opções frias do menu.

 

Nakombi

Nakombi

 

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